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Sobre as vaidades e frustrações
Ao ler a reportagem, postada no site www.atomedico.org.br,
sob o título "Os médicos e o Dr.
Campos da Paz", de autoria do médico José
Hiran da Silva Gallo, na qual autor não poupa
críticas ao colega, o Dr. Aloysio Campos da Paz
Júnior, cirurgião chefe da Rede Sarah
de Hospitais de Reabilitação, simplesmente
pelo fato deste haver contestado o PLS 025/2002, percebi
que vaidades pessoais ou profissionais transcendem o
limite da racionalidade.
Como um verdadeiro "trator", esse sentimento
destruidor atropela qualquer relação saudável,
ética, além de submeter o nosso foco principal,
o paciente, a uma condição de mero espectador,
sem nada poder fazer ante o combate que, embora não
tenha sido por ele elaborado, lhe trará sérias
conseqüências futuras. Essa é uma
guerra sem vencidos nem vencedores, na qual todos perdem:
perde a saúde, perde a dignidade profissional,
perde o respeito mútuo, perde a tão propalada
"interdisciplinaridade". Quem convive na área
de saúde sabe que o projeto de Lei do Ato Médico
caiu como um bomba atômica, que derrubou por vez
uma frágil relação do médico
com outros profissionais. O que já era difícil,
ficou quase impossível. Paira no ar uma hostilidade
que revela-se de forma sorrateira e às vezes
até explícita.
Em um trecho do seu artigo, o Dr. Hiran relata que,
ao se posicionar contrário ao Projeto de Lei
do Ato Médico, o Dr. Campos da Paz, estaria deixando-se
"...influenciar cegamente por alguns fisioterapeutas
corporativistas, possivelmente frustrados e seguramente
raivosos...".
Pergunto: quem faz uma declaração desse
tipo não seria o "raivoso"? Quem agride
dessa forma uma outra profissão, quem vê
no profissional de outra categoria (com quem deveria
ter cumplicidade em prol do paciente) um inimigo, não
estaria qual um Dom Quixote de intenções
sórdidas a destruir moinhos de vento pensando-lhes
inimigos imaginários? Em outro trecho, o autor
ataca o cirurgião da Rede Sarah: "...Não
me foi dada a oportunidade ou o privilégio de
trabalhar em um serviço de referência,
adequadamente organizado, com os princípios e
as características dos hospitais da Rede Sarah.
Eu, talvez, tivesse gostado muito de trabalhar no ambiente
climatizado da Rede Sarah, ao invés de cumprir
minha missão na calorenta e chuvosa Rondônia...".
Pergunto-lhes outra vez: quem parece ser o frustrado
aqui?
Acredito que, ao contrário do que pensa a maioria,
o projeto do Ato Médico não é sumariamente
de cunho mercantilista, não provê somente
a reserva de mercado; o epicentro desse terremoto encontra-se
na vaidade, no egocentrismo, no sentimento do rei sem
súditos, do deus sem seguidores, do general sem
estrelas que vê insubordinação em
qualquer rasgo de raciocínio próprio dos
seus supostos comandados.
O artigo 18 do Código de Ética Médica
diz que "as relações do médico
com os demais profissionais em exercício na área
de saúde devem basear-se no respeito mútuo,
na liberdade e independência profissional de cada
um, buscando sempre o interesse e o bem estar do paciente".
Não parece contraditório? Quem foge à
ética? Num momento em que o país clama
por ética e justiça em todos os seguimentos
da sociedade, a aprovação do PLS 025/2002
será um retrocesso aos padrões "feudais"
que por muito tempo imperaram neste país, mas
que já não encontram eco na população.
Ângelo Roncalli M. Rocha - fisioterapeuta
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